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"Escreva sobre isso”, ela dizia. “Tem algo gritando dentro de você, precisa sair. Quebra esse silêncio, pega uma caneta. Escreva. Escreva, até esvaziar. Solta essa dor, livre-se dela”. (…) Olhar para dentro de mim nunca pareceu tão intimidador. Sempre fiz isso, mas larguei as canetas e esqueci que podia, que sabia. E que me fazia um bem tremendo. Escrever para não falar sozinho. Escrever para alimentar a alma adoecida. Escrever para não morrer por dentro. Escrever para permanecer vivo por fora. Escrever para continuar indo.

little-depressive-girl:

garota interrompida

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garota interrompida

"Você não a amava. Você só não queria ficar sozinho, ou talvez ela era boa para o seu ego, ou talvez ela te fazia sentir melhor sobre a sua vida miserável, mas você não a amava, porque não se destrói a pessoa que ama." - Greys Anatomy (via c-o-r-t-e-s-p-r-o-f-u-n-d-o-s)
"Eu quase amei você. E este deve ser o motivo pelo qual meu corpo ainda vibra quando, vez ou outra, seu nome atravessa pela minha mente." -

Hoje eu apaguei a luz do corredor e tranquei a porta. Não tem chave embaixo do tapete. Não volte mais, não tem lugar pra ti nesse tempo novo.
Eu sabia que seria estranho este recomeço, mas estou com a fé e a coragem de um dia calmo amanhã, uma segunda-feira normal em que você não estará mais por perto. Nem nesta segunda, nem na semana que vem. Simplesmente aceitei essa condição que Deus impôs, porque você sabe, todos nós sabemos, tudo isso já está prescrito pelas mãos divinas e não há nada que se possa fazer, a não ser juntar as mãos e agradecer a mais está chance de recomeço limpo, uma história nova. Preto no branco, sem esforço. Apenas deixe estar, deixe ir. Não possuímos nada nessa vida, além da visão para seguir em frente. Sem arrependimentos, sem dúvidas e sem dores de cabeça. Eu aceito e me entrego a esta nova fase. E com pretensões melhores, mais claras, mais limpas. Eu estarei aqui, do outro lado. Seguro, dentro do meu refúgio. E, nem de longe, quero saber onde você está despejando suas tintas. Nem um borrão.
Apenas espero e desejo que tu encontre a luz. Porque eu estou envolvido nela. Eu sou feito dela. Eu sou feito de luz. E não tenho mais nenhum lamento.

Poesia sem rima é poema

As rimas somem. E aí a gente só consegue descrever algo em poucas linhas desrimadas. Uma falta de expressão tamanha. Um nervoso oculto e camuflado, inflamado, bem no fundo de mim.
Nuvem de outono, inflada de dor.
Prestes a chover.
Precisa chover.
Preciso.
Me preciso.
Sinto falta de escrever.
Versos espalhados pela alma de alguém.
Alguém,
mas,
quem?
Eu, você, ela.
E a outra.
Um desastre grego: um espetáculo, um drama e um quase amor.
Deixou de ser, antes de ser.
Não foi amor, era só dor, uma dor bonita.
Faltava a outra parte.
Foi embora sem deixar vestígio.
E chovia na janela dela, assim.
Como chovia, para mim!
Chovia, chovia e também fazia frio.
E eu só queria chegar cedo ao teatro, a tempo de ver Anita dançar e se exibir pelas beiradas do palco.
Esperando pela hora de aplaudir.
Mas nunca mais houveram aplausos.
Nunca mais houve ruído.
Era tudo envolvido num perfeito eco.
Silêncio fúnebre.
Sentimento raso e falido.
Mas será que ainda havia compasso?
Onde foi que deixamos nossas âncoras?
E por quê a lua não estava mais lá?
Eu estou seguindo em frente. Não é como eu imaginei, não é como esperava que fosse, apenas está sendo como deveria ser.
Pobres pássaros com liberdades trancafiadas em gaiolas enferrujadas, sem chance de ver sequer a fumaça rosa que saía da lareira.
E, aliás, não havia mais fumaça rosa; não haviam mais os bolos enfeitados e doces de morango.
Só poeira cinza e densa.
E eu via os corvos rodeando a casa novamente, aquele grunhido irritante e ensurdecedor.
Annabel chamava, sibilando, feito cobra.
Desisssssta.”
Mas não.
Peguei carona em uma nuvem de devaneios e tentei espantar o tédio.
Aproveitei e fiz uma coroa de flores para enfeitar seus cabelos de fogo.
Seus cabelos dourados.
Seus cabelos de cera, emaranhados em disfarce.
Queria apenas um sinal para acreditar.
Você gosta de chá?
Vermelho.
Você gosta do seu chá quente?
Azul.
Então, dance.
Laranja e amarelo.
Esvaziei a mochila e todos os sonhos que estavam lá dentro. Finalmente, cansei de carregar.
O peso de um mundo - que não era meu - nas costas.
Sem fraquejar. Inerte.
E não havia mais nenhuma casa para voltar a morar.
Perdendo a rima e o rumo, eu tento chegar àquela colina e me perco na primeira esquina. Então, bato na primeira porta, bato e bato, suplico, de joelhos, esperando que alguém abra. Só quero uma informação, mas as esperanças já se amontoam à minha frente; e acabo desistindo.
Desissssta.”
Os fios transparentes que ligavam a minha cabeça à sua, estão cortados. E jogados por aí. Sem laço, sem nó. Desconectados.
Quando você insiste muito para uma porta abrir e essa nunca se abre, acaba por desistindo de bater e liberando as esperanças para o próximo pobre. Certo? Certo.
E tento chegar ao parque. Ou à orla da praia. Mas as placas da cidade não me dizem aonde ir. Tento seguir o instinto, mas cadê? Onde ele foi parar? Para onde foi, meu bem? O instinto e, também, você.
Só queria pintar uma poesia bonita. Como um quadro.
Uma poesia a qual uma fada dos olhos e cabelos de fogo poderia ler para um anjo azul; e esse anjo azul poderia contar para meu beija-flor preferido, da risada de poesia ou canção favorita.
Como quiser, senhor.
Três vezes. Uma só alma, um amor e um quase amor. Ocupando a maior parte desse papel.
Vermelho, azul, laranja e amarelo.
Agora, pode me chamar. Porque estou esperando. Vivo esperando.
O que acha?
Todos os vales estão em ruínas.
Eu comi uma maçã podre.
E joguei fora os morangos mofados.
Junto com as rosas despetaladas e mortas.
E, olhe só: eu troquei as cortinas e o abajur doei para quem precisava mais de luz.
E quase morri. Mas resisti.
Estou aqui.
Ouça:
Vai me internar, de novo, doutor?

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