theme

"Escreva sobre isso”, ela dizia. “Tem algo gritando dentro de você, precisa sair. Quebra esse silêncio, pega uma caneta. Escreva. Escreva, até esvaziar. Solta essa dor, livre-se dela”. (…) Olhar para dentro de mim nunca pareceu tão intimidador. Sempre fiz isso, mas larguei as canetas e esqueci que podia, que sabia. E que me fazia um bem tremendo. Escrever para não falar sozinho. Escrever para alimentar a alma adoecida. Escrever para não morrer por dentro. Escrever para permanecer vivo por fora. Escrever para continuar indo.

"Eu cuidei do que você deixou, enquanto você regredia. Foi só uma prova de que quanto mais você tinha, menos merecia.
E, então, me diz, como é viver sozinha?" - Arabèlla

Eu não sei fazer nada certo. Eu sou mesmo toda errada. Toda errada.
Mas aí me vem você e me faz ter um sentimento daqueles, sabe? De querer por perto, andar de mãos dadas e te chamar de “minha”, sabe? Eu queria te chamar de “minha”. Minha linda, minha e minha.
Eu não vou dizer que estou apaixonada. Não estou. E se estivesse, não deixaria você saber. Não iria dizer. Eu iria provar através de outras formas. Mas olha onde estamos agora: distantes. Eu não sei mesmo controlar as coisas. Mas estou tentando e espero que acredite. Se eu vim aqui escrever isso, enquanto você dorme e não sei com quem você sonha, é porque eu queria estar te olhando dormir. Mas, como disse, estamos distantes. E não estamos mais. Eu pesquisei alguns jeitos de te pedir desculpas e não achei nenhum jeito que fizesse com que você me desculpasse. Porque eu sei que fucked up again e era a ultima coisa que eu queria, sabe? Te magoar e te afastar. Porque você não me deixava sozinha, você agora era minha companhia e estava andando comigo de mãos dadas e eu queria te chamar de minha e acordar do seu lado pelo menos três vezes por semana, ou quatro e agora eu não sei mais nem se vou ter a chance de te ver de longe, porque não sei se você vai querer ir embora ou ficar aqui, no meio dessa confusão. Está uma bagunça, eu sei. O último morador era um desordeiro e desequilibrado, que fez questão de tirar tudo do lugar e largar assim, essa zona que eu mesma mal consigo entender. Mas eu arrumo, ó. Eu estou tentando arrumar. Você, mesmo assim, tão confusa e incerta, tão diferente de mim e tão chata e implicante com meus talvez e com meus eis de ser, de ver e eu quis, mesmo assim, presta atenção aqui, que você ficasse. Eu arrumo, sabe? Você me ajuda a arrumar e deixar mais calmo aqui, de um jeito que você se sinta segura em ficar, entendeu?
P.S. Já estamos envolvidas nisto.

theme